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BRANCA DE NEVE FULL_GIL!
Por Penélope Martins do Blog Toda Hora Tem História

Publicado por: Blog Toda Hora Tem História

https://todahoratemhistoria.wordpress.com/2017/03/16/branca-de-neve-full_gil/


Branca de Neve fugiu. Fugiu? FuLL_Gil, apaixonada pelo poeta que enxergou sua história pelo avesso, fez de gato e sapato e ainda botou o retrato da bruxa pendurado por cima de um par de sapatos.

Então, eu pergunto, qual anão é mais bacanudo?

“Os anões deste reconto são um bocado sem graça, a nenhum dou destaque. A Branca de Neve é bem mais interessante. Eles não têm nomes e agem todos da mesma forma. São apenas Os sete anões, como se fossem sete em um, vivendo uma rotina igualmente desinteressante; veja que são sete os dias da semana. A menina entra nestas rotinas e dá mais vida, como nas vezes todas que desobedece e corre perigos, morrendo e renascendo sempre. Ela é o encanto, a graça. Os anões, embora de estaturas pequenas, representam os adultos e suas limitações. Ela é a fada, eles o enfado.”

E no en_fado dos anões a fenecer, teria algo que Branca gostaria de esquecer?

“A Branca de Neve já é bastante esquecida, não parece saber que a rainha madrasta a quer matar, e todas as vezes que aparece alguém vendendo algo ela atende e nem desconfia que pode ser a morte que bate à sua porta. Este fato é interessante, pois assim são -ou deviam ser-  as crianças, não estão ligadas ao que passou e tampouco ao futuro, o momento presente é o que importa e predomina. Por isso comecei o texto com Era uma vez um inverno… O tempo é o mais importante. E também o espelho ganha brilho especular. O tempo, a vaidade e o espelho, todos os demais são coadjuvantes.”

Essa coisa de príncipe que surge e já beija, e se ele virasse sapo quem o suportaria?

“Alguém que gostasse de beijar sapos, a sapa, por exemplo; será que se chama sapa a criatura? E será que sapos se beijam? Sabemos que sapos coaxam e pulam, e certamente copulam. Não nesta ordem necessariamente. A propósito, quem é que já não dormiu com príncipes e acordou com sapos? Coaxo eu que muita gente!”

Muita gente vira sapo ou já é sapo e a gente fica esquecido que nem Branca de Neve, a cada coaxo… Mas se eu fosse bruxa e você fosse um feitiço, o que a gente botaria no tacho? Maçã envenenada ou sopa estragada?

“Maçã é bem mais interessante simbolicamente, é tão romântica quanto a romã e tão antiga quanto o tal paraíso de Adão, Eva e a serpente. Você usou o adjetivo Estragado, que significa podre, inútil, deteriorado etc., mas também gosto de pensar nesta palavra como algo que não se pode tragar ou engolir. Note que eu disse O adjetivo estragado. Um adjetivo tem o poder de qualificar e também de estragar, sabemos. O espelho de Espelho, espelho meu… usa e abusa destas qualificações. Eu gosto mais de sopas, espero um dia ficar bem velhinho e sem dentes, tipo suavemente estragado, para viver somente de sopas e ensopados. Agora sim este nosso papo ficou cheio de sopas e sapos: Sopapos.”

Sopa de sopapos pode causar estrago, e isso na história é um clássico. Faz sentido ler clássicos no nosso mundo contemporâneo onde tudo é mais pra macarrão instantâneo?

“Parece-me que sim. Um clássico é um clássico é um clássico é um clássico…  Pertencem à classe daquilo que não estraga, constitui modelo, não sai de moda. Lê-los é importante nestes tempos difíceis de se lidar com o contemporâneo.”

E como foi escrever algo tão antigo e já tão escrito?

“Foi demais divertido, extremamente. Esqueci que a história era antiga, também sou como a De Neve, tenho a memória esquecida, suavemente estragada. Reconto-a como se fosse minha; de certo modo é. É de todo mundo e a ninguém pertence. E sobretudo é um texto sobre a vaidade, nada mais contemporâneo, não?

Já perguntei demais, eu sei, mas cabe mais uma? Se você fosse contar a história de outra princesa, qual seria?

“De nenhuma. Não tenho predileção por princesas, tampouco por príncipes, que me parecem sempre um tanto tolos, deslumbrados, distantes da realidade. O oposto disso deviam ser os reais atributos da realeza. Você não Penélopeperguntou, mas direi: Um dos meus livros preferidos é O Pequeno Príncipe, mas este está tão perfeitamente contado que não há porque recontar, nem nada para tirar ou por. Ele sim é um príncipe de verdade.”

E eu, eu nem te conto, Gil, eu quero ler FuLL_Gil, porque é uma delícia revisitar uma história ou conhecer uma nova trajetória nas palavras de um poeta que sabe misturar filosofia, humor e poesia.

Você também ficou com vontade de ler mais? Foge pra floresta e leva a Branca de Neve, com Gil Veloso, no selo enfeitiçado  da Editora Pulo do Gato.


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