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COMO FALAR SOBRE MORTE COM CRIATIVIDADE, LEVEZA E NATURALIDADE?
Roupa de brincar e Íris - uma despedida

Publicado em: Garimpo miúdo - maio de 2016

http://www.garimpomiudo.com/#!Como-falar-sobre-morte-com-criatividade-leveza-e-naturalidade/c218b/573346210cf21b2e94b162fc


Pode morrer uma ideia, uma certeza, uma pessoa. Nos começos e nos finais de tudo, tem morte. E cada recomeço está repleto dos vestígios daquilo que passou. A morte é ciclo. É ao mesmo tempo da vida, do susto, do mistério. Natural, inevitável, tabu, susto, vendaval. A morte é o que não conseguimos dizer. Que coisa estranha é esta. Está em tudo, e mesmo assim fugimos dela todos os dias. Nas conversas, nas histórias, na escolha de um assunto para escrever.

As crianças não entendem e os adultos ignoram, e nesse movimento amedrontado, crescemos traumatizados antes mesmo de vivenciar o trauma. Por isso é que livros que falam sobre isso são como clareiras no meio de uma floresta fechada. Livros infantis, ainda mais. Precisamos abrir essas clareiras para falar da vida.

A literatura pode ajudar não só como recurso terapêutico para elaborar uma perda, mas principalmente para educar os pequenos num momento anterior, antes de se tornarem adultos cheios de medo de pensar. Com a cautela de um garimpeiro só e considerando as mais diferentes abordagens e formatos, aqui vão algumas dicas de como falar sobre morte com as crianças, com os adultos, com todo mundo.

 

Íris – Uma despedida

Este talvez seja o título da lista que menos faz concessões em relação a como dizer o que diz. Em Íris (Pulo do Gato, 2013), da escritora alemã Gudrun Mebs, a morte chega com uma certa secura indispensável, como certos acontecimentos da vida que nos atingem com a força de um furacão. A morte, às vezes, é esse furacão. E é preciso pelo menos não ignorá-lo para sobreviver a ele.

Se as imagens do livro são puro lirismo e simbologia (as belas ilustrações abaixo são da espanhola Beatriz Martín Vidal), a linguagem aqui é mais incisiva.

Apesar de não se tratar propriamente de um livro ilustrado, as imagens aqui guardam a delicadeza de que o texto desvia: Íris está doente e quem vivencia a iminência da perda é sua irmã mais nova. A doença é metaforizada por flores de pétalas azuis que vão brotando do corpo da menina e pouco a pouco se apropriando dela. A morte, em Íris, é mais um movimento em torno da vida, e vai viravolteando através das percepções da menina: a cama vazia, o silêncio dos pais, a melancolia do avó. E só para o leitor não ficar sem consolo depois de tanta realidade, o livro presenteia quem vai até o fim com as palavras do grande Bartolomeu Campos de Queirós:

Ah!, o eterno é o sempre.

Não tem nós de nascimentos

ou embaraços de mortes.

E o pensamento, este

é terreno demais para

decifrar intenso mistério.


Roupa de brincar

"A literatura é um pulmão, onde a gente consegue respirar melhor e compreender no terreno simbólico o que não é fácil de ser digerido". Em uma entrevista recente para o UOL Educação, a editora Márcia Leite, da Editora Pulo do Gato, definiu assim a sua missão de levar adiante os tais "livros difíceis", que desafiam o pudor de contar para as crianças o que é a vida.Roupa de brincar (Pulo do Gato, 2015), de Eliandro Rocha e Elma, é mais um dos muitos de seu catálogo que sabem como fazer isso.

Com a história da menina que um dia chega na casa da tia e vê tudo transformado em um desbotado desconhecido, o livro coloca no campo do simbólico a representação entre o real e o imaginário. Tia Lúcia está diferente do que costumava ser, e nada é mais importante do que entender por que ela de repente resolveu se vestir de preto. Para o leitor desavisado, é um convite para entrar, afinal, não tem nada de triste no título. Aqui, não importa tanto quem partiu, mas quem ficou, e o que fazer para amenizar o preto e branco em que o colorido da vida às vezes se transforma.

Como trazer a alegria de volta se o lugar onde ela morava também se transformou em outra coisa? Como familiarizar a criança com as novas cores que uma mudança pode trazer? Um livro ilustrado em que a imagem continua uma conversa iniciada pelo texto. Ao contrário do que se pode pensar quando lemos a sinopse dessa história, não é a criança quem precisa de ajuda para elaborar a partida, e sim o adulto. Em uma sacada tão genial quanto sutil, o livro sacode as nossas falsas certezas sobre a capacidade das crianças de se aproximarem com naturalidade daquilo que não conhecem.

 



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