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ANA GARRALÓN, ESPECIALISTA EM LITERATURA INFANTIL:‘LIVROS SÃO PENSADOS PARA CRIANÇAS; A INTERNET É UMA SELVA’
Espanhola, que estuda obras para crianças e o mercado editorial latino-americano, esteve no Brasil para palestra na Festa Literária de Santa Teresa

Publicado em: O GLOBO - junho de 2016

http://oglobo.globo.com/sociedade/conte-algo-que-nao-sei/ana-garralon-especialista-em-literatura-infantillivros-sao-pensados-para-criancas-internet-uma-selva-19421126

“Nasci em Madri, iniciei a carreira no magistério e comecei a estudar literatura infantil. Formada, abri uma livraria especializada. Em 1992 passei a viajar pela América Latina, e um novo mundo se abriu, interessante e pouco explorado, como, por exemplo, o Brasil. Estudo o país há mais de cinco anos. Estou aqui pela quarta vez.”

Há pessoas que vivem rodeadas de livros, mas acreditam que não são leitoras. Por exemplo: arquitetos, médicos, advogados e cientistas têm muitos livros, mas não se consideram leitores, pois não têm o hábito de ler romances, ficção ou títulos não acadêmicos. A própria sociedade diz isso, mas é uma noção equivocada.

As escolas tentam ampliar o conceito de leitura?

Os professores que gostam verdadeiramente da leitura podem fazer bons leitores, mas há muitos que não se interessam em ler, o que é terrível. Para eles, a leitura é algo obrigatório, o que se reflete numa seleção de livros feita não com o coração, mas de modo puramente formal. As crianças percebem e acabam não se apaixonando pelas obras.

E a literatura não ficcional, para o público infantil?

São estes livros que contam o mundo, e esta é uma pesquisa que me dá muita alegria em estudar, porque muitas crianças gostam demais desses livros, pois acompanham a sua curiosidade natural, o desejo de conhecer e descobrir o mundo, o corpo humano. Mas são livros que na escola, por exemplo, não se usam muito, enquanto os pais dizem “isso não é ler”, porque acham que ler é ler ficção, romance.

Como a literatura infantil concorre com a internet?

Os livros ainda são um lugar pensado para as crianças, enquanto a internet é uma selva, onde é preciso saber se mover. São os livros que dão início a um pensamento crítico, mas a internet necessita de que se façam boas perguntas para encontrarmos o que queremos. As escolas são o lugar ideal para que as crianças aprendam como usar essas ferramentas. Assim, pode desabrochar o pensamento crítico. Porém, recomendo que elas também permitam às crianças de 15 a 20 minutos diários de uma leitura livre. Isso é feito em muitos países da Europa, como Alemanha e Finlândia, e os resultados são muito bons, despertando não só o gosto pela leitura, como o próprio pensamento mais contestador.

As histórias em quadrinhos são importantes para a literatura infantil?

Para mim parece fantástico que leiam de tudo. Se leitura é liberdade, essa liberdade também se manifesta na escolha de leitura. É ótimo que elas leiam histórias em quadrinhos, a literatura clássica, que criem seu próprio caminho. Super-heróis são um mito universal, provocam uma leitura de muita empatia.

Como surgiu o interesse em estudar, pela literatura infantil, o mercado editorial latino-americano?

Foram dois processos que se deram quase ao mesmo tempo. Eu estava pesquisando sobre literatura infantil e comecei a descobrir muitos escritores, muitas culturas e maneiras de escrever, porque na América Latina são 19 países, e em cada uma das minhas viagens fui me aprofundando um pouco mais.

Países que enfrentaram ditaduras tiveram sua tradição literária prejudicada?

Sem dúvida. Em Londres, por exemplo, você tem uma tradição literária de mais de 400 anos. Na América Latina, na Espanha e em Portugal, as ditaduras e a instabilidade econômica fizeram com que livros antigos se perdessem, o que faz com que as tradições daqui sejam muito recentes, e os autores escrevam como se fosse a primeira vez. Os mercados são mais instáveis, as editoras não mantêm os livros nos catálogos por muito tempo. É complicado ser escritor nesse contexto social e cultural.


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